APRESENTAÇÃO

 

 

X Seminário do Museu D. João VI: o artista em representação

VI Colóquio Internacional Coleções de Arte em Portugal e Brasil nos séculos XIX e XX: coleções de artistas

27 a 31 de maio de 2019

Museu Nacional de Belas Artes – MNBA
Avenida Rio Branco, 199 Centro, Rio de Janeiro – RJ, Brasil.

APRESENTAÇÃO

Dois eventos usuais da área de História de Arte se unem em 2019 em torno de uma temática comum.

X Seminário do Museu D. João VI se volta para a questão da representação do artista, acompanhando a exposição Trabalho de artista: imagem e autoimagem (1826-1929) organizada pela Pinacoteca do Estado de São Paulo e o Museu Nacional de Belas Artes.

VI Colóquio Internacional Coleções de Arte em Portugal e Brasil nos séculos XIX e XX ocorre anualmente, alternando-se entre as cidades de Lisboa e Rio de Janeiro. Nesta edição de 2019, propõe o tema sobre colecionamento de artistas, como continuidade, por outro viés, à discussão do artista em representação.

Ao unir os dois eventos, que têm atraído grande interesses entre pesquisadores e estudantes de graduação e pós-graduação, acreditamos estar dando maior visibilidade e garantindo maior socialização das pesquisas acadêmicas.

 

 

X Seminário do Museu D. João VI – O artista em representação

27, 28 e 29 de maio de 2019

Quais são as representações da figura do artista e como se transformaram ao longo do tempo? Intelectuais ou artesãos, mártires ou demônios, ingênuos ou revolucionários, loucos ou filósofos? Possivelmente, artistas foram e ainda são personagens em que várias camadas de interpretação coexistem e se misturam. Nesta X edição do Seminário do Museu D. João VI, apresentamos o tema “o artista em representação”, em paralelo à exposição Trabalho de artista: imagem e autoimagem (1826-1929) organizada pela Pinacoteca do Estado de São Paulo e o Museu Nacional de Belas Artes, com o objetivo de indagar a respeito das construções históricas da imagem do artista, trazendo a reflexão para o contexto brasileiro e latino-americano, do passado e do presente. O tema, bastante explorado na literatura artística de língua francesa e inglesa, adquire pertinência especial nesse universo geográfico específico, marcado pelas distinções sociais relativas ao trabalho manual e à formação tardia do meio de arte no sentido moderno, após a formação das academias e de um sistema de promoção artística através de exposições e do mercado de arte.

Os modos como compreendemos essa figura na história da arte resultam dos discursos visuais e textuais construídos sobre ela. Suas representações estão presentes em retratos e autorretratos, esculturas, pinturas, gravuras e objetos. Ela também é construída através da crítica artística, na imprensa, na caricatura, em peças de literatura, em biografias ou autobiografias. De textos de autopromoção a obras cinematográficas, nos interessam todas as formas de representação da figura do artista, visuais e textuais. Nosso arco temporal é amplo, são bem-vindas reflexões sobre o/a artista em locais e períodos históricos diversos, incluindo a contemporaneidade, com ênfase no contexto brasileiro e latino-americano, sem dispensar perspectivas comparadas. Nosso ponto de partida é a seguinte questão: De que modos as transformações da percepção sobre os / as artistas e suas significações (sociais, culturais, simbólicas e políticas) marcaram as escritas da história da arte?

EIXOS:

Este seminário está organizado em torno de três eixos temáticos, que dialogam diretamente com a exposição sobre a imagem e autoimagem do artista: Criação e ofícioA persona do artista, O artista e seus modelos.

1 – Criação e ofício
O primeiro eixo se dedica ao artista no processo da criação, exercendo seu ofício no ateliê, no espaço de estudo ou ao ar livre. As representações do seu fazer constroem a imagem do artista e sua relação com o ideal e o real, com a imaginação, a natureza, o delírio e a realidade.

2 – A persona do artista
O segundo eixo abarca os retratos e autorretratos que falam da construção da persona do artista e de sua mitologia, assim como dos papéis de gênero, de raça e de identidade cultural. Incluem-se a auto-imagem e a imagem construída pelo outro: artistas, críticos, historiadores da arte, literatos, curadores, etc.

3 – O artista e seus modelos
O terceiro eixo contempla a relação entre o artista e seus modelos: imagens de formação e dos mestres, de referências (textual e visual), modelos conceituais (alegorias da natureza, do objeto da arte e da criação) e concretos (modelos vivos, fotografias e poses presenciais).

VI Colóquio Coleções de Arte em Portugal e Brasil nos Séculos XIX e XX- Coleções de Artistas

29, 30 e 31 de maio de 2019

A grande maioria dos colecionadores de arte imprime um caráter de diversidade em suas coleções. Mas existem alguns que dão preferência por certos artistas; até os que preferem um só. Há também os herdeiros dos espólios de artistas que guardam documentos e obras que permaneceram de posse do artista e que não foram a público e ao mercado. Instituições igualmente podem priorizar algum artista, quer por doações ou aquisições.   Cada seleção efetuada acaba por constituir uma representação, mesmo que parcial, de sua obra. Esses recortes, ao contrário de um catálogo raisonné, permite considerar a arte em parte e o artista em conjugação com um gosto ou situação particular, constituindo-se uma espécie de curadoria privada e contingencial, possibilitando uma narrativa peculiar na trama da história da arte.

Artistas também colecionam (e não só arte), seja por assumirem o ímpeto do colecionista amador, seja para utilizarem a coleção em suas obras. Coleções pessoais de artistas sugerem diversas interpretações. Apontam seu papel no processo criativo, tendo um fim de inspiração, referências, utilização. Há aqueles que recolhem documentos e objetos, como arquivos prontos a serem acessados para montagem de suas obras.  Por outro lado, há algumas que se desconectam de suas poéticas, apresentando-se em paralelismo à prática criativa, apesar de não deixarem de constituir parte da cultura visual do artista, de seu gosto e preferências estéticas.  Frente às sociabilidades particulares, amizades e oportunidades, muitos reúnem obras de contemporâneos, decorrente de um escambo de camaradagem artística, de trocas de experiências, como se fossem conversas plásticas de ideias, lembranças, propostas, indagações. E há ainda artistas que colecionam a si próprios, preservando aquilo que lhes é caro ou que não mereceu ser exposto. Essas escolhas permitem contemplar facetas de histórias de artistas por meio de suas posses materiais.

A proposta deste colóquio, assim, é procurar melhor compreender como o artista se faz ver por meio de coleções, imagens e autoimagens de representações, de si próprio por meio do que coleciona, do que foi adquirido por certo colecionador ou determinada instituição, do que ficou de sua posse ou de seus herdeiros. Diferente de um olhar abrangente da obra de um artista, Coleções de artistas pretende priorizar os recortes, subconjuntos, as parcialidades estéticas, afirmando as conjugações da arte com a vida e das inúmeras combinações entre o artista e sua obra diante das coleções pessoais, de particulares ou institucionais, frente às contingências de mercado, de produção, circulação e recepção, sublinhando a potencialidade de histórias da arte por meio das coleções.

EIXOS:
1 – Um artista em coleção e a arte em recorte
Alguns colecionadores, tanto ponto de vista privado quanto institucional, por questões de oportunidade, afinidades e/ou escolhas, acabam por selecionar artistas específicos, perfazendo um recorte particular de sua obra, configurando-se como uma espécie de curadoria.  As obras reunidas se propõem como pormenor de uma obra total. Que narrativas subjazem a esses subconjuntos e o quanto as escolhas do colecionador constroem olhares diferenciados sobre o artista?

2 – Coleção-inspiração: obras de artistas e o uso de seus arquivos materiais
Muitos artistas recolhem e reúnem trecos, troços e coisas, artefatos e documentos inerentes ao seu processo criativo, que  funcionam como recursos para uso em suas proposições artísticas. O procedimento de juntar e arquivar, para certos artistas, se desenvolve em poéticas particulares. Que potências poéticas as coleções-inspirações ou obras-arquivo permitem desenvolver? Que linguagens são articuladas com a prática de utilizar arquivos e coleções?

3 – Colecionador-artista: posses de outras artes e/ou outros artistas
A “obsessão” dos colecionadores também afeta artistas. Muitos colecionaram objetos conforme seus gostos e vontades, sejam peças peculiares, herdadas ou compradas, ou mesmo obras de outros artistas, adquiridas ou dadas. Que diálogo suas coleções estabelecem com sua poética? O que podem dizer de suas personalidades? Elas diferem daquelas de colecionadores não artistas?

4 – O artista como colecionador de si próprio (e suas heranças)
Algumas obras de artista acabam por ficar consigo mesmo, ou por não serem absorvidas no mercado ou por estarem inacabadas ou por serem preferidas, constituindo-se em uma coleção particular de si. Esboços, projetos, escritos, anotações e experimentos também se constituem em acervos de artistas que, junto a suas obras guardadas, perfazem um corpus do seu processo criador e muitas vezes são herdadas por familiares, que lhes conferem outros sentidos e rumos. Como se apropriar dessas coleções? Que histórias podem narrar?

 

COORDENADORES

Alberto Martín Chillón (Universidade Federal do Rio de Janeiro, Brasil)
Ana Cavalcanti (Universidade Federal do Rio de Janeiro, Brasil)
Arthur Valle (Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, Brasil)
Fernanda Pitta (Pinacoteca do Estado de São Paulo, Brasil)
Maria João Neto (Universidade de Lisboa, Portugal)
Marize Malta (Universidade Federal do Rio de Janeiro, Brasil)
Sonia Gomes Pereira (Universidade Federal do Rio de Janeiro, Brasil)

COMISSÃO ORGANIZADORA

Alberto Martín Chillón (Universidade Federal do Rio de Janeiro, Brasil)
Ana Cavalcanti (Universidade Federal do Rio de Janeiro, Brasil)
Arthur Valle (Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, Brasil)
Flora Pereira Flor (Secretariado – Grupo de Pesquisa Entresséculos, Brasil)
Maria João Neto (Universidade de Lisboa, Portugal)
Marize Malta (Universidade Federal do Rio de Janeiro, Brasil)
Patrícia Delayti Telles (Universidade de Évora, Portugal)
Rafael Bteshe (Design – Universidade Federal do Rio de Janeiro, Brasil)
Sonia Gomes Pereira (Universidade Federal do Rio de Janeiro, Brasil)

COMISSÃO CIENTÍFICA

Alain Bonnet (Université Bourgogne, França)
Chantal Georgel (Institut national d’histoire de l’art – INHA, França)
Katherine Manthorne (The City University of New York, Estados Unidos)
Maraliz Christo (Universidade Federal de Juiz de Fora, Brasil)
Marisa Baldasarre (Universidad Nacional de San Martín, Argentina)
Paulo Knauss (Universidade Federal Fluminense, Brasil)
Raquel Henriques (Universidade Nova de Lisboa, Portugal)
Vítor Serrão (Universidade de Lisboa, Portugal)

COMISSÃO DE APOIO

Ana Paula Coutinho de Souza (EBA/ UFRJ)
Cecilia de Oliveira Ewbank (PPGAV / EBA/ UFRJ)
Maria Teresa da Silveira (PPGAV / EBA/ UFRJ)
Natália dos Santos Nicolich (PPGAV / EBA/ UFRJ)
Sofia Inda (PPGAV / EBA/ UFRJ)
Tássia Christina Torres Rocha (PPGAV / EBA/ UFRJ)

 

REALIZAÇÃO

Grupo de pesquisa ENTRESSÉCULOS
Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais – PPGAV / Escola de Belas Artes – EBA / Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ
Departamento de Artes / Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro – UFRRJ
Museu Nacional de Belas Artes – MNBA /Instituto Brasileiro de Museus – IBRAM/Ministério da Cultura – MinC
Pinacoteca do Estado de São Paulo
Instituto de História da Arte – ARTIS-IHA / Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa – FLUL

 

APOIO

Centro de Letras e Artes – CLA / UFRJ
Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior – CAPES
Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico – CNPq
Consulat Général de France à Rio de Janeiro / Institut Français Brasil
Escola de Belas Artes – EBA / UFRJ
Associação de Amigos do Belas Artes
Instituto Camões

EDITAL (PDF)

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