Apresentação 2016

Em 2016, completam-se 200 anos da chegada da “Missão artística francesa” ao Rio de Janeiro e consequente criação da Escola Real das Ciências Artes e Ofícios, por Decreto-Lei em 12 de agosto de 1816. Era o início do projeto sistematizado de ensino artístico no Brasil e origem da atual Escola de Belas Artes da UFRJ. Para festejar a data, os grupos de pesquisa Entresséculos (EBA/UFRJ) e DezenoveVinte (UFRRJ e CEFET/RJ), com o apoio do Museu Nacional de Belas Artes, estão trabalhando juntos para a realização de um evento acadêmico internacional em 2016, comemorativo dos 200 anos da Academia de Belas Artes do Rio de Janeiro.

Há mais de uma década, os pesquisadores de ambos os grupos vêm atuando no estudo da arte brasileira, acompanhando o movimento internacional de revisão historiográfica do século XIX e início do XX – período de forma genérica chamado de acadêmico e anatematizado pela crítica modernista. No caso brasileiro, significa voltar a atenção para obras, artistas e instituições esquecidos ou reduzidos à repetição de clichês normativos.

Entre os temas preferenciais dessa retomada dos estudos oitocentistas, está a Academia de Belas Artes do Rio de Janeiro.

Criada em 1816 e aberta em 1826, a Academia do Rio de Janeiro transformou-se, a partir da República, na Escola Nacional de Belas Artes (1890). Ao longo de sua trajetória bicentenária, sempre acompanhou de perto a história política e cultural do país e esteve envolvida nos rumos da arte brasileira.

Na recente produção historiográfica da arte brasileira – em grande parte ligada aos grupos de pesquisa Entresséculos e DezenoveVinte – alguns temas se destacam como vetores de estudos sobre a Academia:

1- A estruturação teórica e prática do ensino acadêmico e suas relações com os modelos europeus da tradição e da modernidade;

2- A participação da instituição no projeto de construção da nação tanto na Independência quanto na República;

3- A estruturação do campo artístico no Rio de Janeiro, tanto dentro da Academia – com o modelo das Exposições Gerais, mais tarde Salões – quanto fora de seus muros – com a progressiva organização do meio artístico mais autônomo, com ateliês, galerias, exposições, periódicos, crítica de arte etc.

4- A formação das coleções da Academia e o modelo de formação de acervos públicos, ao lado do incentivo ao colecionismo particular.

Tais eixos de estudos, no entanto, não foram desenvolvidos de forma simétrica. Alguns deles, como os dois primeiros, apresentam pesquisas mais avançadas. Já o terceiro e o quarto, só mais recentemente, têm sido aprofundados.

Em 2016, pretendemos reunir pesquisadores brasileiros e estrangeiros que contribuam com trabalhos inéditos para avançarmos na discussão sobre os modelos de arte nas academias.

Interessa-nos, ainda, comparar a experiência brasileira com outras similares ou aproximadas, em outros países. Aqui, é importante destacar uma diferença estrutural entre os países da Europa e os dos demais continentes. Na Europa, as academias se voltam para a própria tradição da arte ocidental e vivem, no século XIX,  o confronto com o advento da modernidade. Já nos demais continentes, a experiência da implantação da academia está sempre atrelada a um esforço de modernização, num processo muito complexo, em que pesam a luta para ultrapassar o passado colonial, a necessidade de integração com os modelos europeus atualizados de civilização e a vontade de construir um caráter próprio para as novas nações. Nesse último grupo, destacam-se os casos da América Latina.

É, portanto, como grande entusiasmo e expectativa de estabelecer trocas com os colegas que convocamos todos aqueles que têm aprofundado pesquisas nos temas acima propostos. Assim, está aberta a Chamada para o VII Seminário do Museu D. João VI e o V Colóquio de Estudos Sobre a Arte Brasileira do Século XIX –  MODELOS NA ARTE: 200 ANOS DA ACADEMIA DE BELAS ARTES DO RIO DE JANEIRO.


Objetivos

 

O primeiro objetivo do presente evento acadêmico congregado é avançar o estado da questão dos estudos sobre a Academia de Belas Artes do Rio de Janeiro, incentivando pesquisadores brasileiros e estrangeiros a apresentarem trabalhos inéditos que representem novas pesquisas sobre os eixos temáticos indicados.

O segundo objetivo do evento é atrair pesquisadores de outros países que refletem, como nós, sobre a função e a prática de suas academias – ou instituições similares – e cujos trabalhos representem avanços à historiografia geral do tema, sobretudo em torno dos quatro eixos temáticos já citados, que a seguir detalhamos.


Núcleos Temáticos

 

  • MODELOS DE ENSINO – Estruturação teórica e prática do ensino acadêmico e suas relações com os modelos europeus da tradição e da modernidade: as diferentes estruturações do ensino na Academia; os diversos tipos de exercícios, os concursos escolares e os acervos didáticos de estampas, moldagens de gesso, cópias e fotografias; o papel das bibliotecas.
  • MODELOS DE REPRESENTAÇÃO – A participação das academias e escolas de arte dos projetos de construção de identidades nacionais: os modelos para a narração da história, a construção da paisagem, a representação do povo e a questão da raça; as diferenças de projetos artístico-culturais nos diferentes regimes políticos; estudos comparativos sobre a construção da ideia de nação em outros países.
  • MODELOS DE ATUAÇÃO – A estruturação do campo artístico nas cidades sede de academias e escolas de arte: dentro, com a instituição das Exposições ou Salões; fora, com a progressiva organização do meio artístico mais autônomo, com ateliês, galerias, exposições, periódicos, crítica de arte; estudos comparativos sobre a experiência de outras cidades de países nessa instância.
  • MODELOS DE COLEÇÕES – A formação das coleções das academias e escolas de arte e a política de formação de acervos públicos, ao lado do incentivo ao colecionismo particular: doações, aquisições, acervos expostos nas Exposições Gerais, a formação de coleções particulares.

 

 

 

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