Conferências 2016

Alain Bonnet (Professeur d’histoire de l’art contemporain, Université de Grenoble-Alpes, Laboratoire de recherche historique Rhône-Alpes (LARHRA – UMR 5190)

La Gloire et L’opprobe. La Carrière des Peintres Officiels en France au XIXe Siècle.

 En 1966, Jean-Paul Crespelle, chroniqueur montmartrois, publia chez Hachette un ouvrage sous le titre Les Maîtres de la Belle Epoque. Ce livre, richement illustré de tableaux depuis longtemps oubliés, n’entendait pas procéder à la réévaluation des artistes qualifiés de pompiers, mais revenir sur l’opinion uniformément négative qui avait discrédité les artistes qui exposèrent au Salon, dans la seconde moitié du XIXe siècle. Le mépris qui avait frappé ce type de peinture, tenue pour l’expression même du mauvais goût bourgeois, le condamna à la destruction ou à l’invisibilité pendant plus d’un demi-siècle. L’ouverture du musée d’Orsay deux décennies plus tard, devait confirmer le regain d’intérêt chez les historiens d’art pour la « part maudite » de ce siècle. Les polémiques qui entourèrent l’ouverture de ce nouveau musée confirmèrent toutefois la charge de provocation que conservait encore l’idée d’exposer dans le même lieu Bouguereau et Manet, Cabanel et Renoir, Meissonier et Cézanne. La conférence reviendra sur la carrière de ces artistes officiels, étroitement liée aux institutions artistiques gérées par l’Etat : l’Ecole des beaux-arts et le Prix de Rome, le Salon, l’Académie des Beaux-Arts, les sociétés artistiques… A partir de l’exemple de quelques-unes des figures les plus caractéristiques de cette caste d’artistes privilégiés, elle résumera le cursus studiorum des « chers maîtres » qui exposaient des grandes machines au Salon et reçurent des différents gouvernements européens des médailles et des pensions, et du public les marques les plus hautes du respect et de l’admiration. Elle sera également l’occasion de tenter une classification des productions picturales classées dans la catégories de la peinture officielle, telle qu’elles ont été opposées à la peinture indépendante des impressionnistes, puis aux différentes avant-gardes qui ont marqué l’évolution stylistique au XXe siècle. La conférence abordera également la question de l’image sociale de ces artistes à partir des séries de portraits, d’autoportraits ou de portraits en groupe des artistes officiels. Enfin, elle reviendra sur la question historiographique, c’est-à-dire sur le processus de redécouverte de 10 cette production artistique à partir des années 1980, sur les oppositions à cette réévaluation critique et sur l’état actuel de l’historiographie de l’art du XIXe siècle.


Armelle Enders (Université Paris-Sorbonne)

Os artistas franceses, historiadores do Brasil

A presença da “colônia Lebreton” no Rio de Janeiro, durante as primeiras décadas do século XIX, coincide exatamente com o desenvolvimento do interesse pela história e da renovação do gênero na Europa. Alguns franceses, integrantes ou ligados ao esse grupo, como Jean-Baptiste Debret, Hippolyte Taunay e Ferdinand Denis, produziram várias obras históricas a respeito do Brasil para o público francês. O objetivo dessa conferência é destacar a participação desses autores a construção de uma narrativa histórica sobre o Brasil.


Sonia Gomes Pereira (doutora, professora titular emérita Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro).

Estudos sobre a Academia: estado da questão e revisão historiográfica.

Nas últimas três décadas no Brasil, acompanhando o movimento geral de revisão historiográfica da arte do século XIX, o tema da academia retomou fôlego e tem suscitado grande número de pesquisas. Chegamos, assim, a este ano emblemático de 2016 – quando comemoramos os 200 anos da criação da nossa Academia – a um certo amadurecimento, conseguindo ter uma visão de conjunto destes estudos recentes. Nela, podemos distinguir quatro vetores principais de interesses. O primeiro deles é a releitura do universo acadêmico, tanto a sua teoria quanto a prática. O interesse nesse ponto não se restringe apenas ao melhor entendimento da nossa arte do século XIX, mas, também, da longa duração entre nós desse modelo de ensino avançando pelo século XX e convivendo com o Modernismo. O segundo tema diz respeito à construção de um campo artístico para as artes plásticas, após o período colonial. Nunca será demais insistir na importância da Academia no esforço de valorização do status do artista, num país marcado pela escravidão e junto a uma elite orientada pelo bacharelismo. Em terceiro lugar, trata-se da participação no projeto de construção da nação após a independência, seguindo a orientação do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, criado em 1838. Aqui, além da produção de pintura histórica e indianista, é importante entender o projeto mais amplo, típico do nosso romantismo, de discussão das possibilidades de definição da cultura e da arte brasileiras. Finalmente, o quarto tópico dirige-se para o colecionismo da instituição. A partir das duas coleções iniciais – a Coleção Lebreton e a Coleção D. João VI – a Academia recebeu doações e empenhou-se na aquisição de coleções européias de estampas, moldagens de gesso e cópias pintadas, a fim de constituir um acervo 11 de caráter exemplar. Além disso, foram sendo incorporados exercícios e provas referentes aos inúmeros concursos, tais como os de Prêmios de Viagem e de magistério, assim como os envios dos pensionistas na Europa. Todas estas questões – apesar de enraizadas no século XIX – têm repercussões significativas para as discussões atuais da história da arte em geral e da arte brasileira em particular.

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